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Argelia y sus sesenta años de coherencia histórica-III. Martinho Júnior

(Continuación de «Argelia y sus sesenta años de coherencia histórica-II«)

A ARGÉLIA E OS SEUS SESSENTA ANOS DE COERÊNCIA HISTÓRICA – III.

INDEPENDÊNCIA, SOBERANIA E MUDANÇA DE PARADIGMA.

A ARGÉLIA É UM FACTOR PROGRESSISTA DE VANGUARDA PARA ÁFRICA E PARA A EUROPA.

(CONTINUAÇÃO).

“Para nosotros esta visita entraña no solo un hecho en lo personal grato y emocionante, sino que despierta también nuestro interés histórico, político, económico y humano.

 Costumbres, idiomas y distancia geográfica nos separan, pero nos unen lazos más fuertes, indestructibles:  la historia de lucha común contra el colonialismo, contra la dominación imperialista mundial, los esfuerzos para lograr que nuestros pueblos salgan del subdesarrollo en batalla titánica. 

Nuestra historia es común:  es la historia de la lucha de los pueblos contra la dominación colonial e imperialista. 

Ayer en estas tierras su prócer Abd el Kader inspiró a su pueblo a unirse para librar heroicas batallas contra la dominación extranjera; casi simultáneamente se iniciaban las luchas por la independencia en nuestra patria.  Ambas naciones derramaban su sangre y escribían gloriosas páginas en la historia.  Ambos pueblos sufrieron dolorosos golpes en lucha desigual contra potencias que en aquellos tiempos se contaban militarmente entre las más poderosas del mundo.  Largas y heroicas luchas se frustraban, pero una y otra vez, con tesón admirable levantaban la frente y reanudaban el combate. 

A principios de siglo surgía en Cuba una seudorrepública, que mantendría la dominación imperialista a lo largo de 57 años, mientras que en Argelia continuaba la resistencia contra la dominación colonial.  En 1953 nuestro pueblo da inicio nuevamente a su gesta armada, en busca de la obtención de su plena y definitiva independencia.  Coincidiendo otra vez en el tiempo, en el año 1954 combatientes argelinos reanudan su lucha armada para la obtención de iguales objetivos. 

Casi simultáneamente con la sola diferencia de tres años también conquistamos nuestra definitiva e irreversible independencia. 

Ayer, mientras cruzábamos las calles de Argel, en medio del caluroso y fraternal recibimiento de vuestro noble y heroico pueblo, concitaba nuestra reflexión el espectáculo de decenas de miles de niños que, sumándose a la multitud, agitaban sus brazos y expresaban con cariño y dulzura sus sentimientos.  Hace apenas unos años por esas mismas calles caían abatidos los bravos combatientes del FLN.  ¡Cuánta sangre y dolor costó crear para esa nueva generación un país digno y libre! 

Es imposible dejar de admirar a este pueblo cuando se sabe que en sus luchas patrióticas los últimos 150 años sus muertos se cuentan por millones.  Así, millones de argelinos perecieron luchando contra la cruel e ignominiosa conquista en el siglo pasado.  Más de un millón cayeron después entre 1954 y 1962.  Cuarenta y cinco mil sólo en la semana de las masacres de mayo de 1945 que se conmemora precisamente estos días. 

¿Cómo podrán justificarse jamás tales crímenes de colonialistas e imperialistas?  ¿Qué verdadera civilización podrían traer al continente africano?  ¿Acaso la discriminación y el desprecio racial, la esclavización del hombre, la destrucción de los valores culturales, el apoderamiento de la riqueza, llegando hasta la absurda pretensión de invocar la fe religiosa para encubrir el espíritu de saqueo y rapiña, puede llamarse civilización?” 

DISCURSO PRONUNCIADO POR EL COMANDANTE FIDEL CASTRO RUZ, PRIMER SECRETARIO DEL COMITÉ CENTRAL DEL PARTIDO COMUNISTA DE CUBA Y PRIMER MINISTRO DEL GOBIERNO REVOLUCIONARIO, EN LA CENA OFRECIDA EN SU HONOR EN EL PALACIO DEL PUEBLO DE ARGEL, ARGELIA, EL 9 DE MAYO DE 1972.

 

09- A independência da Argélia coincidiu com o início da solidariedade cubana para com África num processo intrínseco ao carácter da própria Revolução Cubana, pois todo o processo dialético que se desencadeou, emergia do conhecimento de como os sectores mais retrógrados da colonização e neocolonização actuavam e iriam actuar em todo o continente, a partir dos contenciosos internos na Europa, por via das “redes stay behind” da NATO e ao abrigo do império que se reafirmou em hegemonia unipolar!

A Revolução Cubana não fechou as embaixadas de Cuba nas potências coloniais europeias por que era imprescindível identificar e filtrar essas correntes que serviam e servem o império e a hegemonia unipolar até nossos dias, ainda que sujeitas a metamorfoses e “nuances” em função dos contextos e conjunturas onde têm vindo a ser aplicadas!

Quando se perfizeram 30 anos após o assassinato do Comandante Che Guevara, ele próprio também implicado com os Comandantes Fidel e Raul no processo de luta argelino, Ahmed Ben Bella, o primeiro Presidente da Argélia independente e soberana recordou em “Che Guevara, Cuba e a Revolução Argelina” (também publicado no “Le Monde Diplomatique”, em Outubro de 1997, sob o título “No 30º aniversário da morte de Che Guevara: Che como eu o conhecia») como Cuba correspondeu surpreendentemente, em termos de solidariedade socialista e internacionalista (extrato traduzido para português), ao que a Argélia, sobre brasas, naquela época tanto precisava:

“Tropas cubanas ajudam revolução argelina.

A solidariedade entre nós foi espetacularmente confirmada em outubro de 1963, quando a campanha de Tindouf apresentou a primeira ameaça séria à revolução argelina. Nosso jovem exército, recém-saído da guerra de libertação, não tinha cobertura aérea (já que não tínhamos um único avião) ou transporte blindado. Foi atacado pelas forças armadas marroquinas no terreno que lhe era mais desfavorável, onde não pôde utilizar a única táctica que conhecia e tinha experimentado e testado na luta de libertação, nomeadamente a guerrilha.

As vastas extensões áridas do deserto estavam longe das montanhas de Aures, Djurdjura, a península de Collo ou Tlemcen, que haviam sido seu meio natural e cujos recursos e segredos lhe eram familiares. Nossos inimigos decidiram que o ímpeto da revolução argelina tinha que ser quebrado antes que se tornasse forte demais e carregasse tudo em seu rastro.

O presidente egípcio, Abdel Nasser, rapidamente nos forneceu a cobertura aérea que nos faltava, e Fidel Castro, Che Guevara, Raul Castro e os outros líderes cubanos nos enviaram um batalhão de 22 tanques e várias centenas de soldados. Eles foram implantados em Bedeau, ao sul de Sidi Bel Abbes, onde eu os inspecionei, e estavam prontos para entrar em combate se a guerra no deserto continuasse. Os tanques foram equipados com equipamentos infravermelhos que permitiam que fossem usados ​​à noite. Eles haviam sido entregues a Cuba pela União Soviética com a condição expressa de que não fossem disponibilizados a terceiros países, mesmo países comunistas como a Bulgária, em nenhuma circunstância. Apesar dessas restrições de Moscou, os cubanos desafiaram todos os tabus e enviaram seus tanques para ajudar a ameaçada revolução argelina sem um momento de hesitação.

Os Estados Unidos estavam claramente por trás da campanha de Tindouf. Sabíamos que os helicópteros que transportavam as tropas marroquinas eram pilotados por americanos. As mesmas considerações de solidariedade internacional levaram posteriormente os cubanos a intervir do outro lado do Atlântico, em Angola e em outros lugares.

As circunstâncias da chegada do batalhão de tanques merecem ser lembradas, pois ilustram melhor do que qualquer comentário a natureza de nossas relações especiais com Cuba.

Quando visitei Cuba em 1962, Fidel Castro fez questão de honrar a promessa de seu país de nos dar dois bilhões de francos franceses em ajuda. Devido à situação econômica de Cuba, a ajuda deveria ser fornecida em açúcar e não em moeda. Eu objetei, argumentando que Cuba precisava de açúcar naquela época mais do que nós, ele não aceitaria um não como resposta.

Cerca de um ano depois de nossa discussão, um navio de bandeira cubana atracou no porto de Oran. Junto com a prometida carga de açúcar, ficamos surpresos ao descobrir duas dúzias de tanques e centenas de soldados cubanos enviados para nos ajudar. Uma breve nota de Raul Castro, rabiscada em uma página arrancada de um caderno, anunciava esse ato de solidariedade.

Obviamente, não poderíamos deixar o navio voltar vazio. Enchemos com produtos argelinos e, a conselho do embaixador Jorge Serguera, adicionamos alguns cavalos berberes. Este foi o início de uma espécie de troca entre nossos dois países que foi realizada em nome da solidariedade e foi totalmente desprovida de considerações comerciais. As circunstâncias e os constrangimentos o permitiam, era um traço distintivo das nossas relações”

O povo cubano, nos enlaces com o povo argelino, estimulou os laços dum novo relacionamento em África, “multiplicando os Vietnames” por que essa era a única forma digna de ser e de estar, de Argel ao Cabo!

 

10- A Argélia dos primeiros anos do exercício independente, soberano e Não-Alinhado, tornou-se numa plataforma progressista simultaneamente com vocação europeia e vocação africana!

Os antifascistas portugueses tiveram acolhimento para a sua luta em Argel, como outros antifascistas europeus de outras nacionalidades e o entendimento da relação do fascismo e do nazismo com o colonialismo e o “apartheid”, teve a contribuição sociocultural e política da Argélia como de Cuba, para melhor ser estudada e filtrada num imenso processo dialético que está inserido na base hoje dos conceitos propícios às iniciativas emergentes e multipolares, em busca da mudança de paradigma!

O MPLA tem dessa época muitas memórias saudáveis que contribuíram para a sua afirmação de luta!

Em Argel foi pela primeira vez publicada a “História de Angola” produzida pelo Centro de Estudos Angolanos – Grupo de Trabalho História e Etnologia, cuja primeira edição ocorreu em Julho de 1965 (mais tarde reeditada pela Afrontamento).

Esse foi um trabalho patriótico, pedagógico e militante que contribuiu para motivar as fileiras do MPLA, os anos da República Popular de Angola e constitui ainda hoje, uma pródiga lição de unidade, coesão, inteligência e luta:

“Se um militante estudar a história do seu país, aprenderá como é enorme a força e a coragem das massas populares; aprenderá como elas sabem encontrar maneiras inteligentes e habilidosas de se defenderem e derrotarem os seus inimigos. O militante aprenderá a conhecer quem são os mais fieis amigos das massas populares, ou então aqueles que mais facilmente podem traí-las, ou ainda aqueles que são seus inimigos. O militante que estuda uma história verdadeira verá como as massas populares têm um papel importante no desenvolvimento da sociedade humana”

Nos enlaces do MPLA com os antifascistas portugueses, houve a possibilidade de mergulhar no conhecimento histórico e antropológico da chamada “guerra civil de Espanha” (que ocorreu entre 1936 e 1939), até por que foi a partir desse contexto que surgiram os fascismos Ibéricos de Franco e Salazar, que trabalharam tão próximos que firmaram um Pacto de forma a motivar a Internacional Fascista que repercutiu em África e sobretudo na África Austral e Central!

O exemplo da guerrilha urbana ocorrida na luta popular de libertação da Argélia serviu para o MPLA quando foi obrigado, imediatamente antes da Proclamação da independência de Angola a 11 de Novembro de 1975, à guerrilha urbana em Luanda, de forma a impedir que exércitos invasores e seu cortejo de etno-nacionalismos, perturbassem os mais legítimos e dignos interesses de todo o povo angolano, de Cabinda ao Cunene e do mar ao leste!

O Grupo de Operações Especiais da Segurança do Estado Maior das FAPLA de que fiz parte, bebeu desses conceitos e participou nas acções então desenvolvidas contra a reacção colonial (como a Frente Revolucionária Angolana, FRA, criada pelo Jaime Nogueira Pinto e spinolistas de ocasião) e contra a FNLA agenciada pelo regime neocolonial de Mobutu e pela CIA (Operações Iafeature e Savanah, respectivamente irrompendo pelo norte e pelo sul, em simultâneo)!

 

11 – As fileiras dos colonialistas mais renitentes, transformadas em redes “stay behind” da internacional fascista-nazi, foram repescadas por organizações como o “Le Cercle”, a NATO e o sistema de inteligência estado-unidense ao serviço do exercício de domínio do império da hegemonia unipolar para reforçar dispositivos em África e na América Latina!

A deriva da internacional fascista-nazi integrou, de forma enviesada e sob controlo, os interesses e conveniências do império nos relacionamentos Europa-África, o que tornou a corrente longeva e com garantias de reprodução no seio dos próprios africanos, tal como o flagrante exemplo da trilha de Savimbi e da UNITA!

O general Costa Gomes, católico praticante, o que aprendeu em relação ao tema da “guerra de contrassubversão”, deriva em parte dessa experiência na Argélia, o que explica em “Costa Gomes, o último marechal” e daí o facto de propor ao Movimento das Forças Armadas (MFA) portuguesas que levaram a cabo o golpe do 25 de Abril de 1974, o aproveitamento da PIDE/DGS em África ao invés de definitivamente acabar com essa organização!

Os regimes “representativos” do 25 de Novembro de 1975 em Portugal não só aproveitaram esse manancial, como se aproveitaram do centro de formação dos “inspectores” da PIDE/DGS e do Serviço de Centralização e Coordenação de Informações de Angola, SCCIA, o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Ultramarinas (ISCSPU), que para ser “lavado” da sua imagem original para ganhar a tonalidade neocolonial, perdeu o “u”

Membros da ultrarreacionária “Organização Armada Secreta” (OAS) que tentaram persistir numa Argélia colonizada pelos franceses, perdida a guerra foram sucessivamente utilizados para reforço inteligente do Exercício Alcora na África Austral, (redes da PIDE/DGS e da BOSS do regime do “apartheid”, assim como suas inteligências militares) e posteriormente, desde a plataforma-abrigo de Madrid, da Operação Condor, na América Latina, entre outras!

A Aginter Press, organização secreta “stay behind” que foi instalada em Portugal a fim de reforçar os expedientes de inteligência do colonial-fascismo português, tem que ver também na origem da sua iniciativa, entre outros componentes, com os mais renitentes colonialistas franceses da OAS!

No capítulo “A participação na guerra colonial – a longa gestão do silêncio”, (de página 125 a página 142 do livro acima considerado), o general Costa Gomes que estudou a guerra de contrassubversão durante a sua passagem por Macau (guerras da Indochina e da Coreia), revela textualmente o seguinte, (página 127):

… “A guerra subversiva não era, então, conhecida em Portugal. Como já o disse, fui eu que enviei as primeiras missões à Argélia para estudar este tipo de guerra – a primeira chefiada pelo Coronel Hermes de Oliveira e a segunda pelo general Franco Pinheiro. A guerra subversiva não era, de facto, uma das modalidades que integravam o nosso currículo militar. Eu, por acaso, estudei o tema em Macau, onde, na ocasião, se debatiam as guerras da Indochina e Coreia, além de, pouco depois do regresso a Portugal, ter sido indigitado para traduzir um manual sobre a guerra no Quénia, onde, pela primeira vez, os ingleses haviam conseguido dominar a sublevação naquele país. O livro, que tive de estudar com certa profundidade para o traduzir, deu-me a noção clara de que tudo o que tínhamos aprendido estava desfasado da realidade, principalmente em relação à guerra de guerrilha”

… Quer dizer, quando foi colocado em Angola, todos os conceitos de guerra contrassubversiva por ele aprendidos foram aplicados e é reflexo disso a “Directiva Angola em Armas”

Não há notícia do general Costa Gomes ter feito parte das ligações do “Le Cercle” na África Austral, todavia quer o general António de Spínola, quer o general Kaulza de Arriaga, constam, tal como o então Chefe do Estado Maior das South Africa Defence Forces (SADF), general Charles Alan “Pop” Fraser!

Fraser é o autor intelectual do Exercício Alcora e tido como o principal teórico de guerra contrassubversiva do regime do “apartheid”!

Quanto o terrorismo produzido pelos apaniguados fundamentalistas cristãos das redes “stay behind” da NATO visceralmente “anti comunistas” terão inspirado a inteligência da hegemonia unipolar a atiçar os fundamentalistas radicais islâmicos (que também tiveram e continuam a ter implantações na Argélia, no Magrebe, por todo o Sahel e em outras regiões de África)?

Em relação a Savimbi, o Conservative Caucus considerava que Savimbi, (“freedom fighter” da era Reagan inaugurando o neoliberalismo, tal como os “contras” da Nicarágua e os “mudjahidin” do Afeganistão, entre eles Bin Laden), era um “rebelde cristão”, ao nível de John Garang no islamizado Sudão!…

Foi tão “rebelde” que colocava bombas e fazia sabotagens, assassinatos e massacres como as “redes stay behind” da NATO, ou a OAS, ou os protagonistas do “verão quente” em Portugal (que abriram caminho ao golpe contrarrevolucionário do 25 de Novembro de 1975), ou aqueles fanáticos do “apartheid” que realizaram o massacre de Cassinga…

Foi tão rebelde que criou as Brigadas de Acção Técnica de Explosivos, BATE, que semearam Angola de minas, explosivos e perpetraram acções bombistas de guerrilha urbana nas cidades angolanas, incluindo a capital, assim como contra infraestruturas de toda a ordem pelo país fora, uma grande parte delas a coberto de impunidade!

 

12- O patriotismo na Argélia prevaleceu apesar dos impactos neoliberais que surgiram animados com o fundamentalismo da “jihad islâmica” que “filtrou”, com o auxílio dos Irmãos Muçulmanos, as “Primaveras Árabes” no Egipto, na Líbia e na Tunísia, (por todo o Magrebe e Sahel).

Esse patriotismo consolidado desde a resistência ao colonialismo na imediata sequência do desembarque das tropas colonialistas francesas em 1830, conduziu sempre ao apoio da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), contra o colonialismo hispano-marroquino que domina a porta ocidental do Mediterrâneo, conectando o Magrebe com a península Ibérica, como um instrumento da hegemonia unipolar!

A luta armada de libertação do Sahara continua na ordem do dia em África, com a Argélia a ser um dos principais advogados e mentores da causa saharaui, a ponto de a tornar numa questão-chave que coloca a nu os espectros sociopolíticos tanto no Magrebe, como por todo o Sahel, assim como na península Ibérica e sul da Europa.

Os relacionamentos argelinos no Mediterrâneo estão em consonância: quando o Reino de Espanha se aproximou este ano ao Reino de Marrocos, tentando fazer prevalecer o colonialismo no Sahara, a Argélia demarcou-se de Espanha como antes se havia demarcado de Marrocos e quer o seu petróleo, quer o seu gás, passaram a ser negociados com outros, particularmente com a Itália, com outra sensibilidade para a margem sul mediterrânica.

A Argélia com a mudança de paradigma passou a ter uma posição muito sensível no sul do Mediterrâneo, a ponto de optar em relação ao espectro cada vez mais contraditório e isolado da União Europeia transfigurada pela NATO ao sabor da hegemonia unipolar!

De facto a Argélia enquanto componente Não-Alinhado do Sul Global, assume em nossos dias uma posição progressista, anti-imperialista e solidária conforme aos pressupostos originais de sua própria libertação, dando o exemplo para todos os que estão empenhados em libertar-se das amarras da hegemonia unipolar e dos seus espectros de domínio…

O Presidente Nicolas Maduro no seu recente périplo em função dessa mudança de paradigma, teve a Argélia como primeira visita, de forma a sublinhar as aspirações legítimas de todo o Sul Global ao multilateralismo, ao respeito para com a Carta da ONU e ao isolamento das oligarquias europeias que se manifestem incapazes de descolonização mental, seja coberto de monarquias, seja a coberto de repúblicas!

A memória das mensagens dialéticas do Comandante Fidel e dos próceres da libertação africana que estiveram à frente das lutas armadas de seus povos contra o colonialismo e o “apartheid”, perduram em África e por todo o Sul Global, ali onde a sensibilidade patriótica se assume em Não-Alinhada mudança de paradigma!

Do lado retrógrado da história resultante da ruptura com o colonialismo e o “apartheid” surgiu o processo mental de desconstrução, de desagregação e de caos, na tentativa neocolonial de subverter ou dificultar o exercício saudável das independências africanas com base em Programas Maiores capazes de conduzir os povos ao resgate cultural dos séculos de opressão e subdesenvolvimento a que foram sujeitos!

É deste modo que está em curso a libertação da própria Europa “amarrada” ao piedoso fundamentalismo cristão do colonialismo mental, estimulado pelas correntes anglo-saxónicas dominantes!

A Argélia Não-Alinhada, ciosa de sua independência e soberania e animada com a mudança de paradigma, mobiliza-se hoje com bases humanas consolidadas contra os expedientes retrógrados da hegemonia unipolar, particularmente no Magrebe e Sahel (em África), assim como na Europa (contra a vassalagem do híbrido UE/NATO), contribuindo com seu próprio peso energético para isolar os focos que a todo o transe tentam amarrar a humanidade ao feudalismo em pleno século XXI!

Círculo 4F, Martinho Júnior, 14 de Agosto de 2022.

 

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Imagem: Ahmed Ben Bella com Fidel e Che Guevara em Cuba, 1962 – https://en.wikipedia.org/wiki/Ahmed_Ben_Bella.

A consultar:

FIM

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