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¡En el 76º aniversario del Día de la Victoria sobre las potencias del Eje!

NO 76º ANIVERSÁRIO DO DIA DA VITÓRIA SOBRE AS POTÊNCIAS DO EIXO!

BREVE APONTAMENTO

A sorte do continente africano foi jogada com a IIª Guerra Mundial, uma vez que a maior parte do continente enquanto durou essa saga, esteve sob domínio das potências coloniais que firmaram as assinaturas das partilhas decididas na Conferência de Berlim!

Se as potências do Eixo, os nazis da Alemanha, os fascistas de Itália, (Espanha e Portugal, os estados ibéricos foram neutrais, mas se os nazis e os fascistas italianos ganhassem, iriam ser radicalmente influenciados) e os imperialistas nipónicos, também eles colonizadores, a sorte de África voltaria aos tempos da escravatura, ou ainda pior, sujeitando-se a contínuos genocídios ao jeito da actuação belga nos tempos da propriedade congolesa do Rei Leopoldo II, ou em semelhança ao que aconteceu com os hereros na Namíbia, durante a ocupação colonial alemã!

Mesmo assim, em função da instauração das suas redes “stay behind”, a NATO repescou correntes nazis e fascistas a ponto de, por exemplo, tornar Portugal, potência colonial, em seu membro fundador, muito antes do que actualmente está a aliciar na leste da Euriopa e particularmente nos estados Bálticos, na Polónia e na Ucrânia.

A vitória da União Soviética foi pois determinante para o vislumbre da libertação de África fora dos interesses do capital que erigiu o império, pelo que os africanos deveriam considerar que o dia 9 de Abril de cada ano deveria ser também motivo para ser muito melhor lembrado, particularmente os que fizeram a luta contra o colonial-fascismo português e tiveram depois que enfrentar um “apartheid” nazi na África austral, uma sequela do regime de Hitler!

Se a vitória soviética nas frentes ocidental e leste deu oportunidade à libertação do continente africano das potências coloniais, foi também um factor muito sensitivo para o carácter dessa libertação, abrindo-se à saga socialista em benefício de todos os povos da Terra, algo que os Estados Unidos, com o “hegemon” anglo-saxónico em ascensão às custas dos impérios coloniais, enviesada ou frontalmente contrariaram por via da instauração de domínio capitalista neocolonial!…

Por essa razão, desde o último dia da IIª Guerra Mundial que o poder crescente do “hegemon” move a IIIª Guerra Mundial contra o Sul Global, com todo o caudal de misérias que fazem perdurar!…

 

01– O desmoronamento dos impérios coloniais opressores e repressores em África acentuou-se 15 anos depois do final da IIª Guerra Mundial, durante a década de 60 e em muitos casos de forma consentida pelas potências que estiveram presentes na Conferência de Berlim, depois de enfrentarem ou não as resistências africanas que se desdobravam como ondas desde a fase de penetração e razia em direcção ao interior do continente.

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A vitória soviética sobre os nazis – mapa – Operação Bagration (/bʌɡrʌtEuˈɒn/; russo: Операция Багратио́н, Operatsiya Bagration) foi o nome de código para 1944 Soviético Operação Ofensiva Estratégica Bielorrussa (russo: Белорусская наступательная операция «Багратион», Belorusskaya nastupatelnaya Operatsiya Bagration) uma campanha militar travada entre 23 de junho e 19 de agosto de 1944 em Bielo-Rússia Soviética no Frente Oriental do Segunda Guerra Mundial. A União Soviética destruiu 28 das 34 divisões da Centro do Grupo do Exército e destruiu completamente a linha de frente alemã. Foi a maior derrota da história militar alemã e a quinta campanha mais mortal na Europa, matando cerca de 450.000 soldados, enquanto 300.000 outros foram cortados em Courland Pocket. – https://ao.vvikipedla.com/wiki/Operation_Bagration

Os encargos administrativos e militares passaram com todos os seus ónus para as mãos dos africanos, mas as economias das novas nações, esmagadoramente apenas produtoras de matérias-primas, com uma mão-de-obra barata e pouco qualificada e sem poder de decisão sobre os mercados internacionais, determinou que seus poderes fossem limitados e à mercê das filtragens dos interesses impostos a partir do exterior.

Essa foi uma maneira de socializar as perdas e capitalizar os lucros num continente tornado ainda em “corpo inerte”!

O capitalismo em África tornou-se num amorfo neocolonial, dividindo as sociedades por dentro, a fim de melhor implantar o sistema económico de conveniência do domínio do império anglo-saxónico que se expandiu desde os Estados Unidos com seu cortejo de vassalos na sequência da IIª Guerra Mundial, pelo que se tornou corrente praticar as ingerências económicas e de influência sobre as raquíticas elites que se geraram num mar humano informal sobre o qual desse modo continuou a recair a opressão e a repressão.

As independências seriam todas apenas de bandeira, à semelhança do que acontecia noutros continentes, com a agravante de serem em nações que tendo sido artificiosamente criadas por outros, careciam de identidade, de unidade e de coesão, pelo que a arrojada alternativa de inspiração socialista e quase sempre não-alinhada, tornava-se na única opção saudável e civilizada, só possível através de processos de luta de ampla mobilização popular vocacionadas para a unidade e a coesão indispensável às vitórias.

A aspiração ao modo de produção de inspiração socialista começou a ter a sua oportunidade e razão de ser ali onde o poder colonial se tornou mais renitente, como nos casos da Argélia e das colónias sob a bandeira portuguesa, obrigando a intensas e modernas lutas armadas de libertação nacional, por que também passavam a estar já identificados os expedientes neocoloniais que produziam os “freedom fighters” que não passavam de potenciados vassalos em armas.

Assim os Não-Alinhados, organizados a partir da Conferência de Bandung e os socialistas de todo o mundo, se tornaram aliados naturais dos que foram obrigados a pegar em armas a fim de lutar pela independência de povos em busca de identidade, unidade e coesão, numa trilha de longa aprendizagem, de tal ordem que teve de identificar colonialismo, neocolonialismo, “apartheid” e suas avassaladas sequelas, como um obstinado e prolongado obstáculo a vencer…

Foi também assim que o império favoreceu a gestação de etno-nacionalismos seus afins, de modo a confundir os povos nos seus propósitos e com isso disputar, por via de suas elites, o poder dos vulneráveis estados africanos nascentes que viessem a seguir a trilha da luta armada de libertação numa base de lógica com sentido de vida!…

 

02– O poder colonial português não foi apenas renitente, foi também uma base de experiência para os processos de domínio, por que quando os “efectivos metropolitanos” começaram a não chegar para a ocupação dos territórios, tiveram que partir para a “africanização da guerra”, abrindo com isso espaços para as manobras da acção psicológica, dos etno-nacionalismos e dos conceitos da guerra de contrassubversão, mas também linhas de penetração para os movimentos de luta de libertação armada que possuíam horizontes socialistas.

Tudo isso foi ao abrigo da NATO, onde Portugal era membro fundador e com uma “versátil” dinamização no aproveitamento das redes “stay behind” fascistas, pois era não só necessário continuar os investimentos económicos, mas também fornecer meios de toda a ordem e particularmente meios militares, assim como o enquadramento geoestratégico de feição, como o que ocorreu com o tão secreto quão aparentemente contraditório Exercício Alcora, vocacionado a erigir na África Austral capacidades nazis e fascistas no aproveitamento do “apartheid” da África do Sul.

Assim foi necessário ao Não Alinhamento e ao Socialismo, levar a luta contra o colonialismo, “apartheid”, neocolonialismo e todas as suas sequelas, de Argel ao Cabo da Boa Esperança, estabelecendo primeiro linhas da frente informais, depois formalizadas enquanto a resistência nazi e fascista ocorresse com o “apartheid” instalado na África do Sul.

 

03. Para que a luta armada de libertação nacional ocorresse, não bastava mobilizar todas as classes sociais dos territórios a libertar, (desde logo as parcas elites urbanas conscientes intelectuais da dialética histórica), mas criar Centros de Instrução Revolucionária (CIR) que educassem os combatentes preparando-os para a longa luta que não se podiam cingir aos parâmetros das guerras convencionais…

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Campo Internacionalista de Instrução Revolucionária da Funda, Luanda, Angola em 1977 – cursos de guerrilha para efectivos do Peoples Liberation Army of Namibia (PLAN, braço armado da SWAPO) e Umkhonto we Sizwe (braço armado do ANC da África do Sul); “na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul está a continuação da nossa luta” – palavras de ordem revolucionárias do Presidente António Agostinho Neto, depois da proclamação da República Popular de Angola – fotografia que me foi oferecida pelo combatente internacionalista português, Eduardo Cruzeiro, Alex, que integrou o GOE em 1975, 1976 e 1977

Os combatentes preparados para essa longa luta armada de libertação em África, eram por si factores humanos de mobilização de toda a sociedade e por isso nos CIR todos os combatentes e particularmente os de origem pequeno-burguesa, faziam o seu “suicídio de classe” (conforme sintetizou um dia Amílcar Cabral), adequando-se aos quesitos duma tão exigente e decisiva luta.

O Movimento Popular de Libertação de Angola foi dos que mais dinamizou os CIR, inclusive quando sobre brasas havia que adaptar os efectivos combatentes à evolução rápida da situação, um processo dialético que se acelerou com a criação das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) a 1 de Agosto de 1974 e precisamente na altura em que internamente se tiveram de melhor definir os próprios processos de luta, vencendo a intelectualidade de tendência neocolonial da Revolta Activa e o etno-nacionalismo que sustentava Daniel Chipenda a partir da Revolta do Leste.

Com as FAPLA, o MPLA esboçou inteligentemente o carácter geoestratégico e ideológico da luta a longo prazo em toda a África Austral, conjuntamente e desde logo com a Frelimo de Moçambique, ainda que fosse secreto o Exercício Alcora, ao sabor dos interesses dominantes do império neocolonizador…

O Presidente Agostinho Neto dirigiu essa saga que ocorreu no exterior, a que se juntava a continuidade da luta clandestina e guerrilheira em todo o espaço nacional e por isso era tão importante a gestação da identidade nacional garantindo ao mesmo tempo unidade e coesão em torno do líder, algo que algumas franjas “do interior” procuraram subverter com a gestação desde as prisões e da luta clandestina do fenómeno fraccionista que deu origem à sangrenta tentativa de golpe de estado de 27 de Maio de 1977!

Por isso foi possível estabelecerem-se nexos entre todas as organizações empenhadas na luta contra o colonialismo e o “apartheid”, tirando partido da solidariedade internacional e do especial papel da Revolução Cubana em África, cuja contribuição protagonizou a saga libertária de Argel ao Cabo da Boa Esperança, espevitada a sul do Equador com a passagem do Comandante Che Guevara pelo Congo, avaliando inclusive o papel dos etno-nacionalismos enquanto avassaladas sequelas de poder colonial, neocolonial e do próprio “apartheid”!

Quanto da saga libertária no continente africano deu continuidade à vitória soviética sobre os nazis em 1945?

Quanto essa vitória foi deliberadamente subvertida pelo “hegemon”, a fim de instaurar em África o actual corpo inerte do neocolonialismo?

 

04– Toda a direcção que respondia à unidade e coesão em torno do líder Presidente Agostinho Neto foi importante para a dinamização dos CIR e particularmente os mais experimentados nos longos processos de luta, como o combatente e poeta António Jacinto.

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ANTÓNIO JACINTO – Memória de antifascista da resistência (excerto) – “Ainda antes da independência de Angola, dirigiu o Centro de Instrução Revolucionária do MPLA. Depois da independência, proclamada em 1975, foi co-fundador da União de Escritores Angolanos, e participou activamente na vida política e cultural angolana, sendo Ministro da Educação Nacional, de 1975 a 1978 e Secretário do Conselho Nacional da Cultura. Fez parte do comité central do MPLA. Elemento importante do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, criado em 1948, publicou Poemas (Lisboa, 1961) e colaborou em Mensagem (Luanda), Mensagem (Casa dos Estudantes do Império), Cultura II, Jornal de Angola, Itinerário, Brado Africano, Império e Notícias do Bloqueio. Sendo um dos mais representativos poetas angolanos, várias vezes incluído em antologias, o autor é também prosador, destacando-se, na sua obra mais recente, os livros Fábulas de Sanji (1988) e Vovô Bartolomeu (1989), que nos revelam um atento e profundo analista da vida social” – https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/photos/a.559109110865139.1073741828.558291707613546/892802297495817/

Por amor ao povo angolano e aos povos da África Central e Austral, os CIR de que António Jacinto se tornou um dos mentores como homem de cultura revolucionária, foram inspirando muitos outros quadros combatentes, acabando por haver condições para os proliferar desde o início do processo de descolonização que se tornou possível a partir do 25 de Abril de 1974.

O transitoriamente clandestino Grupo de Operações Especiais da Segurança do Estado Maior Geral das FAPLA, onde fui integrado pelo Comandante NZage, foi também necessariamente tocado por essa inspiração em 1975, 1976 e 1977, por que em cada passo e rapidamente era necessário ir-se adaptando às necessidades da luta em prol do projecto revolucionário que constituía a República Popular de Angola…

Em África, tal como foi necessário em nome da libertação dos povos na IIª Guerra Mundial à União Soviética e seus aliados derrotar os nazis e os fascistas, em toda a profundidade estratégica era também esse o desafio que se punha, como se tudo espelhasse, ao retardador, nos processos históricos dialéticos!

No Grupo de Operações Especiais da Segurança do Estado Maior Geral das FAPLA, a partir do momento em que as missões começaram a intensificar-se em áreas rurais (Quifangondo e Dembos) e em função da evolução da exigência das missões, outros recrutamentos/integrações foram feitos, sendo o grosso de jovens provenientes de áreas rurais de todo o país, que se sujeitavam a rápidas reciclagens em Centros de Instrução Revolucionária versáteis e adequadas às exigências das missões então correntes!

Assim sucederam-se:

  • A formação da milícia, (mais tarde ODP), local da Camuxiba, à Samba, articulando com a manobra clandestina antes da independência (a base era na instalação do que é hoje o posto policial da Camuxiba);
  • A formação da força de ataque a Quibaxe na abandonada Roça Sagri, nos Dembos, implantada numa altaneira e arejada elevação entre Pango Aluquém e Quibaxe, a norte da nascente do rio Quiúlo, afluente da margem direita do Zenza;
  • A formação da força de desembarque em Ambrizete, ocorrida nos areais da “ilha dos padres”, Cazanga, na baía do Mussulo, (as instalações da Igreja Católica estavam também abandonadas naquela altura), em finais de 1975 e princípios de 1976 (de facto os primeiros fuzileiros navais angolanos);
  • A formação de forças guerrilheiras da SWAPO e do ANC, nas instalações abandonadas duma fecunda fazenda de palmares junto ao rio Bengo, na área da Funda, próxima das instalações da Rádio Marconi;
  • Por fim a formação, na cidade do Cuito, do 1º Batalhão das Forças Especiais da então DISA Provincial, depois do fenómeno fraccionista do 27 de Maio ter sido vencido, com base na instalação duma escola secundária na altura abandonada…

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    Acção Social para Apoio e Reinserção, ASPAR – Assembleia Provincial de membros, antigos combatentes, muitos deles que haviam pertencido às Forças Especiais do Bié, componentes provinciais dos organismos de Segurança do Estado, testemunhos vivos da saga da luta armada de libertação nacional contra o colonialismo, o “apartheid” e muitas das suas sequelas – 15 de Janeiro de 2011 – fotografia de minha autoria

O compêndio de História de Angola publicado inicialmente em Argel, em Julho de 1965, pelo Centro de Estudos Angolanos, Grupo de Trabalho História e Etnologia do MPLA, serviu muitas vezes como guião e fonte de inspiração nas abordagens correntes da época e até hoje mantém um incontornável valor histórico-pedagógico, ainda que não seja levado em consideração no actual sistema de educação em Angola…

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História de Angola – Publicada inicialmente em Argel, Julho de 1965 – Centro de Estudos Angolanos – Grupo de Trabalho História e Etnologia – MPLA – Edições Afrontamento – Porto – um Manuel de referência que deveria merecer destaque nos processos de educação história de Angola – “Para que serve conhecer a história de Angola – É necessário que um revolucionário conheça a história do seu país. Muitos revolucionários dos nossos dias estudaram as grandes batalhas dos tempos antigos e aprenderam métodos de luta (táticas) que foram muito úteis nas guerras revolucionárias do nosso tempo. Se um militante estudar a história do seu país, aprenderá como é enorme a força e a coragem das massas populares; aprenderá como elas sabem encontrar maneiras inteligentes e habilidosas de se defenderem e derrotarem os seus inimigos. O militante aprenderá a conhecer quem são os mais fiéis amigos das massas populares, ou então aqueles que mais facilmente podem traí-las, ou ainda aqueles que são seus inimigos. O militante que estuda uma história verdadeira verá como as massas populares têm um papel importante no desenvolvimento da sociedade humana” – https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-975418386-historia-de-angola-afrontamento-livro-_JM

 

05– No seguimento das batalhas de Cabinda, do Ebo e de Quifangondo, com a ajuda internacionalista de Cuba, por via da Operação Carlota, palmo a palmo a jovem República Popular de Angola recuperou todo o seu território!

Depois iniciou-se a saga de libertação de toda a África Austral quer do «apartheid», quer do regime colonialista de Ian Smith e só dessa maneira se pôs fim ao Exercício Alcora, que perdurou num implícito reaproveitamento, após o 25 de Novembro de 1975, tendo em conta que a PIDE/DGS teve sequência em África, através dos Serviços de Inteligência Militares Portugueses que mantiveram os enlaces de troca de informação e de jogos operativos com os serviços de inteligência do regime de Ian Smith e com o “apartheid” (daí o facto da impulsiva força etno-nacionalista quer da Renamo, em Moçambique, quer da Unita, em Angola)!

Esse reaproveitamento teve muitas evidências, particularmente quando personalidades como Mário Soares e Cavaco Silva estiveram à frente de alguns dos sucessivos governos do “arco de governação” (eles sempre estimularam sucedâneos neocoloniais em Angola e Moçambique, de cunho e vínculo português, aproveitando o quadro de vassalagem na NATO como posteriormente com o quadro da União Europeia).

Na Segurança do Estado da República Popular de Angola, enquanto ela esteve em vigor, foram sendo colectados muitos sinais e evidências desse reaproveitamento, inclusive de redes dos serviços secretos do “apartheid” BOSS/NIS, que recrutavam agentes em Lisboa em função da actividade da embaixada sul-africana, para os activar em Angola na busca incessante de informação operativa a ser utilizada na planificação do quadro de missões militares das South Africa Defence Forces (SADF)…

Muitos desses agentes procuravam recolher informação operativa-militar nos portos de Angola (sujeitos às acções do Grupo de Reconhecimento em Profundidade nº 4 sedeado em Saldanha Bay) e nas diversas frentes, sobretudo na Frente Sul.

A 31 de Maio de 1991, quando em Bicesse se assinou o Acordo do estado angolano já sem seus aliados naturais, com o etno-nacionalismo da Unita chefiada por Savimbi e com a formatação filtrada pela globalização sob a égide imperial, subvertia-se a contento e desde logo a paz para Angola e abria-se o capítulo da voragem neoliberal, sequencialmente por via do choque e terapia, procurando asfixiar as potencialidades de libertação de Angola e de África e, conforme Francis Fukuiama, “pôr fim à história”!

Agora em que o abismo se abre a nossos olhos, para que alguma vez haja um renascimento africano, há que voltar à lógica com sentido de vida, na continuidade do movimento de libertação em África e buscando erguer uma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo capaz de inteligência patriótica!

BICESSE FOI UMA DERROTA ÉTICA E MORAL, MAS A MEMÓRIA HISTÓRICA ESTÁ AÍ, POR QUE A LUTA LEGÍTIMA PELA LIBERDADE, É ATÉ LEMBRADA EM CADA ANO, COM AS COMEMORAÇÕES DA VITÓRIA SOVIÉTICA SOBRE OS NAZIS, OS FASCISTAS E OS COLONIZADORES DO EIXO!

A FORJA DA REPÚBLICA POPULAR DE ANGOLA QUE FOI VIÁVEL DURANTE MAIS DE UMA DÉCADA HERÓICA, PASSOU POR ESSE ENTRELAÇAR DE SAGAS DE VERTICAL INSPIRAÇÃO E MOTIVAÇÃO SOCIALISTA, ASPIRANDO AO JUSTO RESGATE CONFERIDO PELO ÂMBITO EMERGENTE DUMA POTENCIADORA LÓGICA COM SENTIDO DE VIDA!…

… POR AMOR E PELA VIDA!…


MEMÓRIA EM MAIO DE ANTÓNIO JACINTO (VÃO-SE PERFAZER 20 ANOS APÓS SUA MORTE)!

ANTÓNIO JACINTO (1924 – 1991) – https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/photos/a.559109110865139.1073741828.558291707613546/892802297495817/

Cidadão angolano, bravo combatente contra o colonialismo e o fascismo, perseguido pelo regime colonial fascista, esteve cerca de 10 anos no Campo de Concentração do Tarrafal (de 1961 a 1972). Foi um dos maiores vultos da Literatura angolana.

1. António Jacinto do Amaral Martins, poeta angolano, nasceu no Golungo, Angola, em 28 de Setembro de 1924 e morreu em Lisboa, aos 66 anos, no dia 23 de Junho de 1991. Usou o pseudónimo “Orlando Távora” para assinar alguns contos.

Não contando com os anos de prisão fora do seu país, viveu praticamente toda a sua vida em Luanda. Fez o curso de liceu em Luanda e aí trabalhou como empregado de escritório. Foi fundador, com Viriato da Cruz, do efémero Partido Comunista Angolano, dissolvido posteriormente no movimento nacionalista que também ajudaram a formar.

Singularizou-se como poeta e esteve preso por actividades políticas anti-colonialistas, de 1960 a 1972, a maior parte desse tempo, desterrado no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Foi transferido depois para Lisboa, em regime de liberdade condicional por cinco anos, arranjando emprego como contabilista. Conseguiu fugir de Portugal em 1973 e ir para Brazzaville, onde se juntou à guerrilha do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

2. Ainda antes da independência de Angola, dirigiu o Centro de Instrução Revolucionária do MPLA. Depois da independência, proclamada em 1975, foi cofundador da União de Escritores Angolanos, e participou activamente na vida política e cultural angolana, sendo Ministro da Educação Nacional, de 1975 a 1978 e Secretário do Conselho Nacional da Cultura. Fez parte do comité central do MPLA.

Elemento importante do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, criado em 1948, publicou Poemas (Lisboa, 1961) e colaborou em Mensagem (Luanda), Mensagem (Casa dos Estudantes do Império), Cultura II, Jornal de Angola, Itinerário, Brado Africano, Império e Notícias do Bloqueio. Sendo um dos mais representativos poetas angolanos, várias vezes incluído em antologias, o autor é também prosador, destacando-se, na sua obra mais recente, os livros Fábulas de Sanji (1988) e Vovô Bartolomeu (1989), que nos revelam um atento e profundo analista da vida social.

3. Foi premiado várias vezes, salientando-se: o Prémio Noma, o Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e o Prémio Nacional de Literatura.

Em 1993, o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD) instituiu em sua homenagem o Prémio de Literatura António Jacinto.

Em 2014 teve lugar, em Lisboa, o Colóquio Internacional «António Jacinto e a Sua Época. A Modernidade nas Literaturas Africanas em Língua Portuguesa», promovido pelo CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). Vários investigadores portugueses, brasileiros e angolanos juntaram-se então, para colocar em debate e lembrar a importância da obra deste grande poeta angolano. O CIDAC (Centro de Documentação Amílcar Cabral) foi um dos parceiros neste evento. Este Colóquio propôs-se alargar o campo dos estudos literários, históricos, culturais sobre uma época e sobre países de todo o continente, abordar as influências e a obra de António Jacinto. Mas acabou por trazer ao de cima além da poesia e dos contos, um conjunto importante de cartas escritas dentro e fora da prisão e reforçou o conhecimento da importância do autor nos movimentos da Literatura angolana e do mundo.

Obras literárias publicadas:

  • Poemas (1961)
  • Vovô Bartolomeu (1979)
  • Poemas (1982, edição aumentada)
  • Em Kilunje do Golungo (1984)
  • Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985; 2ªed. 1999)
  • Prometeu (1987)
  • Fábulas de Sanji (1988)
  • Poemas célebres
  • O grande desafio
  • Poema da alienação
  • Carta dum contratado
  • Monangamba
  • Canto interior de uma noite fantástica
  • Era uma vez
  • Bailarina negra
  • Ah! Se pudésseis aqui ver poesia que não há!
  • Vadiagem
  • Biografia da autoria de Helena Pato

Fontes:

http://topatudo.blogspot.pt/…/28-de-setembro-antonio

http://www.lusofoniapoetica.com/…/biografia-antonio

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Jacinto

http://www.angonoticias.com/…/antonio-jacinto-morreu-ha

http://www.antoniomiranda.com.br/…/antonio_jacinto.html

https://www.google.pt/search?q=Ant%C3%B3nio%20Jacinto

http://www.trabalhosfeitos.com/…/Vida-e…/48808803.html

http://viajar.sapo.ao/…/coloquio-sobre-antonio-jacinto

 

Luanda, 11 de Maio de 2021


Algumas consultas:

• Películas de los soldados soviéticos desfilando en Berlín en mayo de 1945 y su victorioso regreso a sus hogares, restauradas a color – https://actualidad.rt.com/actualidad/391553-video-soldados-sovieticos-berlin-gran-guerra-patria?fbclid=IwAR1ShSnAYAiLL8fPloYdSH3k5AEas1K-7kFK0M7UO77CV9tXY2OFhNSiufw;

• Rússia celebra 76º Dia da Vitória, aniversário da derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial: veja fotos – https://operamundi.uol.com.br/memoria/69660/russia-celebra-76-dia-da-vitoria-aniversario-da-derrota-dos-nazistas-na-segunda-guerra-mundial-veja-fotos;

• 9 de maio de 1945: o Dia da Vitória da Rússia contra a Alemanha nazista de Hitler – https://www.brasildefato.com.br/2021/05/09/9-de-maio-de-1945-o-dia-da-vitoria-da-russia-contra-a-alemanha-nazista-de-hitler;

• Russia Warned The West Against Reviving The Supremacist Spirit Of Nazism –

• Os aliados destroem a resistência antifascista, a falhada tentativa de Stáline alinhar com o Ocidentehttp://oneworld.press/?module=articles&action=view&id=2028;

• República Popular de Angola – https://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Popular_de_Angola;

• Tomada de Posse do Primeiro Governo da República Popular de Angola (1975) – a RPA teve seu fim formal a 31 de Maio de 1991 (Acordo de Bicesse) – https://www.youtube.com/watch?v=-7zFpPbvHHM;

Bicesse nas versões oficiosas que escondem as razões profundas do fim da RPA http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/bicesse_26_anos_depois;

• ETNO-NACIONALISMO VISCERALMENTE DESAGREGADOR – https://paginaglobal.blogspot.com/2020/12/etno-nacionalismo-visceralmente.html;

• O Fim da História e o Último Homem. Francis Fukuyama.por Sílvio Almirante.2014 – https://www.academia.edu/11679881/O_Fim_da_Hist%C3%B3ria_e_o_%C3%9Altimo_Homem_Francis_Fukuyama_por_S%C3%ADlvio_Almirante_2014; https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/2516/1/AVMehl.pdf;

• A doutrina do choque: uma contra-história do neoliberalismo – http://www.ihu.unisinos.br/176-noticias/noticias-2007/562785-a-doutrina-do-choque-uma-contra-historia-do-neoliberalismo:

• Naomi Klein: Por que voltar à crise de antes da crise? – https://outraspalavras.net/outrasmidias/naomi-klein-por-que-voltar-a-crise-de-antes-da-crise/.

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