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Hegemon en el pantano de sus propias contradicciones y equívocos. Martinho Junior

HEGEMON NO PÂNTANO DE SUAS PRÓPRIAS CONTRADIÇÕES E EQUÍVOCOS. Martinho Junior

Qué es la historia de Cuba sino la historia de América Latina?  ¿Y qué es la historia de América Latina sino la historia de Asia, Africa y Oceanía?  ¿Y qué es la historia de todos estos pueblos sino la historia de la explotación más despiadada y cruel del imperialismo en el mundo entero?

A fines del siglo pasado y comienzos del presente, un puñado de naciones económicamente desarrolladas habían terminado de repartirse el mundo, sometiendo a su dominio económico y político a las dos terceras partes de la humanidad, que, de esta forma, se vio obligada a trabajar  para las clases dominantes del grupo de países de economía capitalista desarrollada.

Las circunstancias históricas que permitieron a ciertos países europeos y a Estados Unidos de Norteamérica un alto nivel de desarrollo industrial, los situó en posición de poder someter a su dominio y explotación al resto del mundo.

¿Qué móviles impulsaron esa expansión de las potencias industrializadas?  ¿Fueron razones de tipo moral, “civilizadoras”, como ellos alegaban?  No:  fueron razones de tipo económico.

Desde el descubrimiento de América, que lanzó a los conquistadores europeos a través de los mares a ocupar y explotar las tierras y los habitantes de otros continentes, el afán de riqueza fue el móvil fundamental de su conducta.  El propio descubrimiento de América se realizó en busca de rutas más cortas hacia el Oriente, cuyas mercaderías eran altamente pagadas en Europa. – DISCURSO PRONUNCIADO POR EL COMANDANTE FIDEL CASTRO RUZ, PRIMER SECRETARIO DE LA DIRECCIONA NACIONAL DE LAS ORI Y PRIMER MINISTRO DEL GOBIERNO REVOLUCIONARIO, EN LA SEGUNDA ASAMBLEA NACIONAL DEL PUEBLO DE CUBA, CELEBRADA EN LA PLAZA DE LA REVOLUCION, EL 4 DE FEBRERO DE 1962. –http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1962/esp/f040262e.html

A ESPIRAL LIBERTÁRIA QUE EMANA DA ÁSIA.

A Federação Russa demonstrou neste ano de 24 de Fevereiro de 2022 até hoje, que no essencial para se libertar em função da mudança de paradigma é necessário sobretudo inventariar todo o tipo de contraditórios e equívocos acumulados pela hegemonia unipolar e actuar sobre eles, não como uma manipulação mais a juntar a todas as outras, não como uma ingerência mais em foro alheio, mas como uma forma ética e moral clarividente apta a contribuir para que as largas massas populares da Ásia, sobretudo da Ásia Ocidental (a que os euro-centristas classificam geograficamente como Europa) e dos Estados Unidos comecem a acordar de formatado sono letárgico a que têm sido votados de há largos séculos a esta parte, por conspiração dos meios de guerra psicológica das monarquias feudais, dos estados expansionistas, da aristocracia financeira mundial e das oligarquias afins mentalizadas e preparadas para um colonialismo e um “apartheid” sem limites, a que não querem pôr fim!

Reduzo propositadamente esse “ocidente” à Ásia Ocidental (como é anã afinal essa Europa vassala), porque é no supercontinente asiático onde se desenrolam as grandes transformações que caracterizam a mudança de paradigma, transformações que impactam já sobre as contradições e os equívocos de resistência da hegemonia unipolar, agora em fase de acelerada decomposição!

São os povos duma Ásia telúrica que se levantam e convocam todos os povos do mundo, num momento em que a irracionalidade e a bárbara cobiça do “hegemon” levou a consumir em meio ano o que o planeta só consegue recuperar em um e numa altura em que no globo há mais de 7.000 milhões de seres humanos vivos!

Essa Ásia telúrica conta com as nações mais povoadas do mundo e com a cooperação e solidariedade que essas nações emanam, rejeitando jugo e assumindo o respeito pela Carta das Nações Unidas em benefício de toda a humanidade, respeita ao mesmo tempo a Mãe Terra!

O multilateralismo é contraditório ao exclusivismo e à impunidade que foi capaz de desencadear a IIIª Guerra Mundial que começou com a explosão das bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki e se prolongou itinerante até nossos dias e por isso é uma energia libertadora que recorre legitimamente às armas apenas quanto baste e também por isso não está a fazer a guerra pela guerra!

A guerra faz a aristocracia financeira mundial, as guerras fazem as oligarquias, a propagação do ódio é inerente aos processos de domínio bárbaro sobre os outros, mas quando as vastas nações e povos assumem legitimamente a via armada em função da dignidade de todos, quando as alianças cívico-militares respondem em qualquer campo de profícua luta, é a libertação que se levanta, é o amor que se levanta, é a lógica com sentido de vida que se evoca abrindo espaço à esperança dum mundo melhor e ao futuro!

O barómetro das greves em crescendo na Ásia Ocidental, é revelador da ânsia de libertação, pondo fim à situação artificiosa criada pelas oligarquias nas relações laborais e internacionais, porque excluíram o diálogo com a Rússia, um dos principais fornecedores de matéria-prima à escala global, particularmente produtos energéticos!

A Ásia demonstra estar capaz de colectar todos os esforços aparentemente dispersos de libertação e o que têm feito Cuba Revolucionária, a Venezuela Bolivariana, a Nicarágua Sandinista, a África do Sul após o “apartheid”, ou a indómita Argélia coerente com sua história, são mananciais, alguns deles de vanguarda, que contribuem para o carácter desse multilateralismo nascente, que promove em nome da vida as articulações forjadas no aprofundamento do diálogo em busca de consensos entre as nações, os estados e os povos, sobretudo os do Sul Global marcados pela e desde a Conferência de Bandung de boa memória, em meados do século passado!

Os povos que assumem a vanguarda, são articulações imprescindíveis pelo seu exemplo e pela inspiração de sua própria dádiva e contribuição, mas nas articulações multilaterais cabem todos, inclusive aqueles que antes deram corpo ao anátema imperial, como o Afeganistão, a Arábia saudita, ou a Turquia…

Sendo fundamentalmente Não-Alinhada, a libertação choca por via armada com o bloco instrumentalizado pelo poder da hegemonia unipolar, choca com a Organização do Tratado do Atlântico Norte e, se o conflito está mais localizado na Ásia Ocidental, nem por isso perde de vista a possibilidade de ele se estender à República Popular da China, ou ao Médio Oriente Alargado, como mais um sinal de desespero do “hegemon”!

A ARTICULAÇÃO RUSSA DESDE A UCRÂNIA.

Três ondas de fornecimento em escalada de armamento colocadas em mãos ukronazis depois de 24 de Fevereiro de 2022, muitos procuram adivinhar se a Federação Russa vai fazer ou não uma larga ofensiva em território duma Ucrânia que como tal, em função dum estado golpista e dum regime fantoche do hegemon, tende a desaparecer!

Antes do mais é preciso lembrar que a “operação especial Z” foi vocacionada para a desmilitarização e a desnazificação, ou seja, não precisa de conquistar território, mas precisa de exercer controlada presença e pressão de forma a desbastar o inimigo e economizar as próprias forças em torno do Donbass hostilizado pelo regime de Kiev desde 2014!

A integração do Donbass no território da Federação Russa pode ser continuada no plano duma extensão à Nova Rússia, é verdade, mas estão criadas as condições para, só em função dos territórios das Repúblicas Populares de Lugansk e Donetsk, assim como de Zaporijia (a antiga fortaleza russa de Aleksandrovkaya) e de Kherson (fundada por Catarina a Grande a fim de servir de base à Frota russa do Mar Negro), se levar a cabo essa desmilitarização e desnazificação com sentido de libertação!

Os ukronazis, que vão receber mais uma onda de armamento, esgotam seus recursos no caldeirão do Donbass e a “Z” só precisa de manter a “comissão de espera” bem oleada na demolição e espaçadamente atacar em pontos sensíveis os dispositivos militares e afins no resto do território ucraniano!

Essa é uma armadilha multidimensional criada pela Rússia por via da “Z”, que ao mesmo tempo permite a economia dos esforços empenhados e um número menor de baixas das forças de libertação, na espectativa que mais desafios surjam entretanto!

O movimento do esforço militar ukronazi a partir do oeste na direcção do caldeirão do Donbass (atravessando de oeste a leste todo o território a partir das fronteiras com a Polónia e a Roménia), tem sido severamente desgastado e o que chega ao campo de batalha, sendo uma fracção do armamento fornecido pela OTAN, é sobretudo um manancial humano importante, na verdade uma forma multidimensional de desmilitarizar e desnazificar que leva em conta tacitamente, por outro lado, a corrupção do poder fantoche de Kiev (outra parte do armamento está já a desembocar no Sahel, desviado pelos vínculos ukronazis com apetites para os negócios, ainda que malparados)!

Nesse frenesim a Rússia pode manter o êmbolo na velocidade que lhe aprouver e a velocidade que importa, levando em conta as capacidades do empenho do hegemon, inclusive a capacidade de seu desgaste chocando contra o Donbass agora tornada numa autêntica fortaleza!

A equipa de demolição, demonstra estar devidamente equacionada e estimulada para esse efeito!

Fazer rodopiar forças de demolição russas, como as da PMC Wagner em Soledar e agora em Bakmut, desde o entorno das áreas suburbanas, é um dos processos que mais resultados está a ter no Donbass, em localidades que podem demorar vários meses para serem tomadas e onde vão desembocando largos milhares de efectivos, uma parte deles metrcenários, outra parte mal preparados, em todos os casos sem grandes motivações para lutar!

O caldeirão é território de Donbass, é território russo e é ainda dentro desse território e só nele onde os combates terrestres se têm desenrolado, inclusive os duelos de artilharia.

Alguns pensam que isso é debilidade da Rússia, mas quando vão experimentar essa debilidade sujeitam-se ao rolo compressor que os tem esmagado sem remissão, repetindo e repetindo a dose, escalada a escalada!

No Donbass desgastam-se em cadeia os golpistas ukronazis apaniguados de Bandera, desgasta-se a OTAN sem suprimentos suficientes para alimentar a frente, desgasta-se a anã Ásia Ocidental agora sem recurso aos produtos energéticos baratos da Rússia e desgastam-se os Estados Unidos onde o hegemon tem seu fulcro “straussiano” e da Rand Corporation, que tem capacidade duvidosa para apressadamente abrir outra frente igual no extremo oriente, pois até abandonou o Afeganistão para abrir a presente!

Nesses termos o empenhamento russo vai ficando mestre na economia de esforço, de recursos e de meios, sem perder sua vocação libertária integral e na ausência de segurança vital comum!

Mesmo que haja alguma iniciativa em grande escala (alguns noticiam uma próxima ofensiva em grande escala), foi essa opção de esquadria territorial limitada que a tem vindo a preparar!

Para uma operação em grande escala deve haver uma preparação prévia diária que fulmine os recursos logísticos dos ukronazis e o que tem acontecido está (ainda) longe de ser suficiente.

Enquanto isso acontece o dólar vai ter pela frente cada vez mais dificuldades e provas, porque vão ser cada vez mais os que vão abandoná-lo como moeda padrão para os seus intercâmbios e negócios!

O Sul Global está cansado de pagar a IIIª Guerra Mundial que tem sido sorvedouro de seus recursos a favor da pirataria feudal vestida de roupagens tecnológicas, económicas e financeiras do capitalismo ganancioso, hipócrita e sem escrúpulos do século XXI!

Está também cansado de aturar as manipulações e ingerências neocoloniais nos seus assuntos, quaisquer que eles sejam!

Equivoca-se Borrel ao pensar que é assim que se erguem “jardins” e com todos os dentes mente ao utilizar esse equívoco na comparação com “a selva”!

Na balança está um constante inventariar dos recursos “ocidentais”, enquanto na profundidade da Ásia se aceleram os processos de articulação em termos de economia, finanças (moedas próprias) e segurança comum, indispensáveis para emergir mesmo em tempo de crise ou conflito, reservando o grosso das forças de inteligência e militares para a eventualidade da necessidade dum alargamento (por exemplo prevendo um incremento da agressividade do hegemon contra a China), ou duma confrontação directa que apesar de tudo até agora foi em parte evitada!

A harmonização cultural passou a ser o esteio de tudo o mais, esbatendo as contradições e os conflitos por via dos caminhos da cooperação, solidariedade e um multiplicar de interesses e negócios comuns!

Os corredores económicos abertos (Novas Rotas da Seda, oleodutos e gasodutos) são multiculturais e, como tal, propiciam a coerência e a harmonia a que todos aspiram!

Os povos da Ásia Ocidental pouco a pouco vão acordar para esse caminho que lhes tem sido escondido apesar de estendido e as necessidades por que já começaram a passar, vão aguçar não só o seu engenho, mas também vão fazer despertar forças capazes de alterar o quadro oligárquico da “democracia representativa” que os formatou e amarra (mentiras pornográficas, artificiosas contradições de toda a espécie e equívocos até à exaustão)!

Por sua própria natureza os povos são refractários ao exclusivismo, ou à impunidade de suas corruptas elites e oligarquias fantoches e vassalas, porque são marginalizados, explorados e enganados por elas!

Alguns dos estados “ocidentais”, como a Croácia, a Hungria ou a Turquia, promovem por si contradições intestinas na Ásia Ocidental por que é impossível fazer manter de forma alargada os equívocos históricos, antropológicos e conspirativos semeados pelo hegemon!

Alguns contraditórios e equívocos surgem daí (desgaste acelerado) e juntam-se aos contraditórios e equívocos que os estão a levar ao conflito com o resto da Ásia, cada vez melhor preparada para a libertação do seu todo a partir de suas cada vez mais alargadas articulações multilaterais!

Na IIª Guerra Mundial foi necessário à União Soviética chegar fisicamente à tomada de Berlim, mas na presente situação não vai ser preciso, com o desgaste que o “ocidente” já está a sofrer em crescendo, chegar fisicamente à tomada de Londres: basta a derrota ukronazi, mesmo que não seja necessário tomar Kiev!

Kiev, 20 anos depois da destruição de Bagdad, continua a não ser como Bagdad, porque a libertação não é a guerra e abre espaço ao futuro, não à degradação ética e moral sem limites!

A Luta Continua!

Círculo 4F, Martinho Júnior, 17 de Fevereiro de 2023.

Imagem:
Greve Geral em França, a 19 de Janeiro de 2023

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