D:\PRODUÇÕES\2022\MJ - SET 22\SAMARCANDA - 01..jpg
ArtículosExtremo OrienteImperialismo e Internacionalismo

Las perlas emergentes de Samarcanda. Martinho Júnior

 

AS PÉROLAS EMERGENTES DE SAMARCANDA.

… QUANDO O “ESPÍRITO DE XANGAI” TEM PELA FRENTE A HEGEMONIA UNIPOLAR STRAUSSIANA…

QUEM ESTÁ A INIBIR A PAZ ENTRE OS AFRICANOS E PORQUÊ?

Que solidariedade, que cooperação, que segurança vital comum, numa época em que a humanidade atingiu os mais de 7 mil milhões de seres em vida que esgotam em meio ano o que a Mãe Terra apenas consegue recompor em um ano?

 

01- A Carta das Nações Unidas não pode ser mais letra morta, corroída pelos vírus dum “mundo” (mundo é uma das palavras-chave mais propagandeadas pela caducidade exclusivista do “ocidente”) condicionado às estritas regras impostas pela hegemonia unipolar na pirâmide de poderes que lhe dá corpo…

Por essa razão cooperar e não competir, solidarizar-se e não abrir espaços para elitismos, ou exclusivismos, ou clãs, gerar oportunidades progressistas de desenvolvimento sustentável e não açambarcar em nome de lucros opressivos em proveito dum domínio sem ética nem moral duns quantos, abrir espaços à participação e ao protagonismo ao invés de propagandear “democracia” limitando-a à representatividade malparada de oligarquias, garantir segurança vital comum e não desagregação, caos ou terrorismo, está a ganhar força emergente com o “espírito de Xangai” que anima a Organização de Cooperação de Xangai de há 21 anos a esta parte, desde a sua fundação!

O “espírito de Xangai” implica confiança mútua, benefício mútuo, igualdade, consulta, respeito pela diversidade de civilizações e busca do desenvolvimento comum…

A maturidade da Organização é já de tal modo expressa que ela está a passar da influência de espectro regional para uma influência continental abrangente do Pacífico ao Atlântico e transcontinental, revitalizando de facto a substância da Carta da ONU enquanto alimentada com a coerência da paz, o diálogo e a incessante busca de consensos, permitindo al´m do mais, entre os seus membros, concertações de todo o tipo de formatos.

A paz no mundo é possível com essa revitalização que abre caminho também à reconfiguração e modernização da própria ONU, transformada pela hegemonia unipolar numa Organização cada vez mais obsoleta aguardando sua salvação da contaminação de que tem sido alvo!

A ONU não pode ficar refém de regras impostas pelo exercício “straussiano” da hegemonia unipolar, como se fosse um molusco desalojado da própria concha que com ele nasceu e cresceu, para dar lugar a um ente oportunista intruso, que nada tem a ver com a sua substância global, seu conteúdo motivado pela paz e pela concórdia e sua coerência universal, vindo subversiva e forçosamente ocupar o seu lugar!

Não há harmonia possível enquanto subsistir a hegemonia unipolar filtrada pelos discípulos de Leo Strauss!

 

02- A reunião de 15 e 16 de Setembro da Organização de Cooperação de Xangai ocorreu sintomaticamente em Samarcanda, encruzilhada multicultural das velhas e das novas rotas da seda em plena Ásia Central, quando em Angola se assistia à tomada de posse do segundo mandato do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, que em função da história contemporânea da África Central e Austral, dá sequência ao exercício de paz dos presidentes angolanos anteriores, na tentativa de com plataformas saudáveis tornar possível a luta contra o subdesenvolvimento em premente benefício de todos os povos do continente.

Em África contudo constata-se cada vez mais que há muita dificuldade para o “espírito de Xangai” medrar, pelo que nos relacionamentos internacionais as possibilidades neocoloniais da hegemonia unipolar tendem a subverter o que é da paz, do progresso, da cooperação, da solidariedade e do desenvolvimento sustentável, fazê-las reféns enquanto “cosa nostra” como à própria ONU!

Essa subversão tem sido promovida por via de instrumentos cuja essência tem apenas e exclusivamente a ver com a hegemonia unipolar como o Comando África do Pentágono (AFRICOM), ou a organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO), cujo esforço funcional tem oscilado desde a descarada agressão como a que foi feita em 2011 contra a Jamairia Líbia, ao reaproveitamento da “FrançAfrique”, até às “primaveras” que se estenderam desde a dissolução da URSS, Pacto de Varsóvia e bloco socialista aos Balcãs e ao Cáucaso, desde o Médio Oriente Alargado, ao Egipto e ao Magrebe, apenas para tentar colocar no poder as moscas de inteira conveniência do poder hegemónico dominante, segundo esteiras de caos, de terrorismo étnico ou religioso e de convulsiva desagregação!

Mesmo as missões da ONU no continente estão a ser filtradas por essa hegemonia retrógrada que a cada passo atenta contra o Sul Global, contra a humanidade!

Constate-se a título de exemplo, a versão romanceada e fantasiada da “História do AFRICOM” no seu próprio site, em relação a 2011 (tradução automática Google):

“O pessoal militar dos EUA foi enviado para a África Central para servir como conselheiro das forças da Força-Tarefa Regional da União Africana, que trabalhou para derrotar Joseph Kony e outros líderes do Exército de Resistência do Lorde. A operação continuou por vários anos, a fim de proteger as populações locais. Os EUA também intervieram para proteger civis na Líbia. Como foi estabelecido principalmente para se concentrar no engajamento e na assistência à segurança, o AFRICOM tinha poucas forças designadas para conduzir operações na Líbia. O AFRICOM, portanto, dependia fortemente do Comando Europeu dos EUA e de outros comandos para obter os recursos necessários para realizar uma evacuação de não combatentes e operações militares em cooperação com aliados europeus e outros parceiros”

… Quase que deu para “lavar as mãos como Pilatus”, mas tudo isso confirma a obrados seguidores de Leo Strauss, que também está a chegar a África!

D:\PRODUÇÕES\2022\MJ - SET 22\SAMARCANDA - 02..jpeg

SCO expande adesão e apelo internacional enquanto o presidente Xi descreve prioridades de solidariedade e benefícios compartilhados – O presidente chinês Xi Jinping posa para uma foto de grupo com outros líderes dos estados membros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) antes da sessão restrita da 22ª reunião do Conselho de Chefes de Estado da SCO no Centro Internacional de Conferências em Samarcanda, Uzbequistão, 16 de setembro de 2022. Xi participou da sessão restrita na sexta-feira. Foto: Xinhua – https://www.globaltimes.cn/page/202209/1275441.shtml

 

03- Em Abril de 2022, a pretexto agora da tensão nas fronteiras do zombi-híbrido EU/NATO com a Federação da Rússia, assim como da questão de Taiwan em vias de polarização na região do sudeste asiático e Pacífico, a hegemonia unipolar lançou sem consultar sensibilidade africana alguma, como se fosse mais uma outra Conferência de Berlim, a Lei de Combate às Atividades Malignas da Rússia em África, que está já a ser aplicada pelo AFRICOM, “a cavalo” na sua própria história de ingerência incrementada sem haver uma palavra africana na sua gestação, anterior a 2007/8, durante ou depois…

Que se saiba nunca passou pela cabeça de alguém em África, estabelecer um Comando Militar similar, quanto mais não fosse em regime de reciprocidade, em território dos Estados Unidos!

Em relação ao actual contencioso que tem como foco a Ucrânia, é sensível passar-se em revista os processos históricos, antropológicos, sociopolíticos e até psicológicos desde quando o capitalismo neoliberal impante com a dissolução da União Soviética, o fim do bloco socialista no leste da Europa e o fim do Pacto de Varsóvia, começou a disseminar tensões, conflitos e expedientes de desagregação em cadeia, a começar nos círculos de poder da própria Federação Russa.

Quer a extensão da EU/NATO a leste, sem compromissos de segurança vital comum, quer a desagregação da Jugoslávia fomentando conflitos étnico-religiosos desde logo na Europa, quer as “revoluções coloridas” e “primaveras árabes”, entre as quais há a destacar a “revolução laranja”, entre 2004 e 2005 e o golpe “EuroMaidan” em 2014, na Ucrânia, quer o bombardeamento sistemático da resistência a esse golpe Donbass fora (que levaram à proclamação das repúblicas populares de Lugansk e de Donetsk) e apesar da tentativa desamparada que foi o Acordo de Minsk, desprezado pelo poder ukronazi instalado em Kiev e pelos cúmplices “ocidentais” (Alemanha e França em relevo), tudo aponta para o facto de que tem sido a hegemonia unipolar a responsável pela situação corrente e não o inverso!

Inverter os termos dessa evolução por via das interpretações próprias e sem consultar quem quer que seja e condenar a Federação Russa por falha no diálogo, quando por tudo no próprio terreno indicia estar já em causa a sobrevivência dessa entidade pluricontinental, não se ajusta nem à história contemporânea dos acontecimentos, nem ao seu foco legítimo em nome da paz, da necessidade do diálogo e de incessante busca de consensos!

A “falha” é inequivocamente da hegemonia unipolar com seu cortejo de vassalos que demonstram não ter feito sua própria descolonização mental e essa “falha” inscreve-se “só” na IIIª Guerra Mundial não declarada da hegemonia unipolar contra o Sul Global, em curso desde o deflagrar das bombas de Hiroshima e Nagasaki num Japão já completamente derrotado em 1945!

É em sintonia com tudo isso que o AFRICOM está a assumir em termos militares e de inteligência próprios a “competitividade” ao invés de diligenciar cooperação desde logo entre as potências que se relacionam com África, uma cooperação de que África tanto carece, tal como carece de paz, de solidariedade e de justiça social e histórica!

Constate-se esta “janela” no “STATEMENT OF GENERAL STEPHEN J. TOWNSEND, UNITED STATES ARMY COMMANDER, UNITED STATES AFRICA COMMAND BEFORE THE SENATE ARMED FORCES COMMITTEE”, de 15 de Março de 2022:

“Geo-Strategic Significance Drives Strategic Competition Africa’s global impact drives global influence.

Africans are increasingly influential in the United Nations (UN) and other international fora. Currently, Africa holds 28 percent of UN General Assembly votes and three of 15 UN Security Council (UNSC) seats. Our African partners face choices to strengthen the U.S. and allied-led open, rules-based international order or succumb to the raw power transactional pressure campaigns of global competitors.

How African governments choose partners may determine the future of U.S. values-based influence in international political fora.

Strategic rivals, China and Russia, have long recognized Africa’s importance. Both nations leverage opportunities to erode U.S. influence with African nations. Both nations are gaining ground on the continent. Both nations successfully convert soft and hard power investments into new partnerships. Both nations exert political influence at U.S. expense.

China continues to focus on the long game as its dominant position in African markets has allowed it to buttress autocracies and influence global political norms, technological standards, and commercial practices while offering an entry point for their military.

China’s heavy investment in Africa as its second continent, and heavy handed pursuit of its One Belt, One Road initiative is fueling Chinese economic growth, outpacing the U.S., and allowing it to exploit opportunities to their benefit.

This year, China significantly expanded the capabilities of its Doraleh Naval Base in Djibouti—Beijing’s only permanent overseas military base—by adding a large and capable pier while advancing plans to establish a second location along West Africa’s Atlantic Coast.

By 2030, Chinese military facilities and technical collection sites in Africa will allow Beijing to project power eastward into the Middle East and Indo-Pacific Theaters and west into the Atlantic. A permanent Chinese naval presence in West Africa would almost certainly require the Department to consider shifts to U.S. naval force posture and pose increased risk to freedom of navigation and U.S. ability to act.

Russia continues to undermine rule of law by exploiting insecurity and diplomatic disputes to expand its presence in Africa, primarily through its use of Kremlin-backed Wagner Group.

Wagner has malignly inserted itself in several African countries— namely Libya, Sudan, Mozambique, Central African Republic (CAR), Mali—including instances where their mercenaries have been linked to horrific violence against civilians and other human rights abuses.

Where Wagner goes, instability follows. For example, Wagner forces in the Central African Republic (CAR) have reportedly massacred dozens of civilians during missions that ostensibly protect the government while advancing Moscow’s economic and political interests.

Russia’s Wagner uses its designation of as a PMC for Moscow in an attempt to deny, however implausibly, these abuses.

Similarly, President Putin insists Wagner is a private company employed by Mali’s transitional authorities— the same Malian authorities who claim that only official Russian Ministry of Defense personnel are conducting operations in their country.

Further, Moscow remains Africa’s largest arms supplier having increased exports by 23 percent over the last four years. The Kremlin’s willingness to sell weapons to authoritarian leaders and combatants without end-user agreements fuels militarization and escalates conflict and instability across Africa”

O Pentágono trucida todos os pan-africanistas como Kadafi e os africanos que no continente se têm empenhado em prol do diálogo, da busca de consensos e da paz continental, em especial Angola que começou esse esforço a 4 de Abril de 2002, ainda que em processo filtrado pelo neoliberalismo, um ano depois de ter sido criada a Organização de Cooperação de Xangai!

Concomitantemente à contínua operacionalidade do AFRICOM, a NATO vai dando sinais, particularmente desde a destruição da Jamairia Líbia, tendo como capacidade intermédia a 6ª Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, também empenhada em África.

O Comandante da 6ª Frota é ao mesmo tempo Comandante das Forças Navais de Ataque e apoio à NATO!…

Mobilizada num ambiente como o actual, a NATO cristalizou-se e constitui uma âncora que impede a descolonização mental da Europa e motiva ao neocolonialismo, algo que tem sido sustentado pelas oligarquias europeias contra o interesse dos povos europeus ávidos também de cooperação e de solidariedade, direitos esses jamais sufragados!

É assim que a Europa em relação a África persiste em visões paternalistas, que não conseguem sair do eurocentrismo nas relações internacionais (é constatar como têm sido os relacionamentos com o Reino de Marrocos ocupante colonial do Sahara)!

Como eles, os avassalados dos seguidores de Leo Strauss, julgam de forma elitista, exclusivista, definitiva, com o seu inchado ego e em função do seu domínio hegemónico unipolar ávido de competição para que haja cada vez mais lucros para a aristocracia financeira mundial, como se a segurança vital global tivesse de ser “ad eternum” uma “cosa nostra” em solo do Sul Global e tudo prognotiscando que “quando dois elefantes lutam, quem se lixa é o capim”!…

Assim há algo que parece não ter sido bem entendido em Angola para os próximos 5 anos, atendendo ao juízo expresso no discurso inaugural do Presidente recém-eleito e à configuração da própria tribuna internacional que acompanhou o evento oficial na Praça da República, em Luanda:

“Nesta conformidade e tendo em conta a necessidade de se evitar o escalar do conflito, consideramos importante que as autoridades russas tomem a iniciativa de pôr fim ao conflito, criando assim um melhor ambiente para se negociar uma nova arquitectura de paz para a Europa e abrir o caminho para a tão almejada e necessária reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas”

É cedo para se aperceber se haverá reorientação do voto de Angola nas arenas internacionais, ou não, por que há que lutar, entre africanos, por uma paz africana livre de ingerências da hegemonia unipolar sob pretexto do que quer que seja, algo já bem digerido aliás pela Argélia!

O “regime de Marcelos”, com o afilhado a cobrir “por osmose” o papel “straussiano” de Nancy Pelosa e da Victória Nuland, com Angola sempre nas suas atenções prioritárias ao abrigo do zombi-híbrido EU/NATO, apressou-se contudo a confirmar:

“Tal como vários países africanos, inclusive de língua portuguesa, Angola não apoiava a posição da Ucrânia e da União Europeia  e neste discurso o presidente João Lourenço convida a Federação Russa a parar as suas operações para permitir a abertura de negociações o que é uma viragem muito significativa”

D:\PRODUÇÕES\2022\MJ - SET 22\SAMARCANDA - 03..jpeg

Cúpula China-Rússia-Mongólia garante infraestrutura e conectividade energética, aumenta a confiança regional – O presidente chinês Xi Jinping realiza a sexta reunião de chefes de Estado da China, Rússia e Mongólia com seu homólogo russo, Vladimir Putin, e homólogo mongol, Ukhnaa Khurelsukh, no Complexo Forumlar Majmuasi em Samarcanda, Uzbequistão, 15 de setembro de 2022. (Xinhua/Zhai Jianlan) – https://www.globaltimes.cn/page/202209/1275413.shtml?id=11

 

04- Em Samarcanda a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai demonstra a revitalização por via da abertura emergente multilateral, fomentadora de solidariedade, de cooperação efectiva, de integração de capacidades infraestruturais e de paz, já não só por toda a Ásia-Europa, mas alastrando seu “espírito” pelo mundo fora, à atenção, por exemplo, dos BRICS alargados (as posições internacionais daÁfrica do Sul testemunham-no).

O zombi-híbrido EU/NATO preso pelos laços da hegemonia unipolar sabe que a via da Organização de Cooperação de Xangai lhe bate à porta em função de estímulos de paz poderosos, como a Nova Rota da Seda e ignorar esse esforço representa um isolamento ainda mais agudo, quando as questões de segurança comum obrigam ao diálogo e à urgente busca de consensos, que se perdeu desde a era Reagan, há mais de 30 anos!

Para além dos contraditórios entre os estados componentes duma União Europeia sacudida pelo efeito boomerang das sanções contra a Rússia, os estados e as sociedades começam a dar os primeiros sinais “informais” de inaptidão em relação aos novos tempos, como acontece por exemplo em Paris, onde manifestações contra o Presidente Macron terão pedido também a saída da França da União Europeia e da NATO!… Ainda a procissão do Outono vai no adro!…

A hegemonia unipolar reserva agora para Nancy Pelosi o papel público de Victoria Nuland nas administrações anteriores, (Nuland mantém-se activa mas numa zona em que é-lhe possível mais sombra) embarcando-a para Taiwan e para a Arménia a fim de utilizar o seu “instinto” institucional provocador e actuando como um símbolo catalisador!

Angola sabe também disso, pois foi vítima do choque e continua a ser vítima da terapia neoliberal, agora reforçada com as ingerências por via do complexo AFRICOM e EU/NATO, com manobras cada vez mais perceptíveis!

Possibilitando encontros de cúpula nos mais diversos formatos, a organização valoriza a resolução de conflitos por via do diálogo, valoriza a busca de consensos, valoriza a segurança vital comum, valoriza o Não-Alinhamento activo, sem deixar de perceber os riscos e desafios que derivam do continuado exercício do império da hegemonia unipolar desde 1945, que se reflectem também na Ásia Central, no preciso entorno de Samarcanda!

Os acontecimentos no Cazaquistão, em Nagorno-Karabak e nas fronteiras entre o Tajiquistão e o Quirguistão não deixam de ser atendidos nos parâmetros da Organização de Cooperação de Xangai e resolvidos no seu espírito, daí o alerta sobre a disseminação de “revoluções coloridas num mundo em turbulência” feita oportunamente pelo Presidente Xi!

Ao mesmo tempo a cooperação está já a ser implementada “desdolarizando” e o gás que o zombi-híbrido EU/NATO sancionou está a ser adquirido pela República Popular da China, assim como a Índia está a comprar petróleo russo a preços bonificados, sem recurso ao dólar, ou ao euro, ou à libra esterlina!

Quando a Rússia responder às sanções fechando, em função da acumulação de dólares, as exportações de alumínio, urânio e titânio para os Estados Unidos, o que pode não estar longe, a situação social, económica e financeira do hegemon unipolar vai-se deteriorar ainda mais do que já está!

Em Londres, por fim, não houve só o funeral da Rainha: ao tratarem a família real saudita com desprezo alegadamente por causa do assassinato de Kasoji (impedindo-a de assistir às cerimónias das exéquias), a Arábia Saudita vai ainda mais rapidamente fazer a deriva na direcção do “espírito de Xangai”, pelo que “o mundo” vai desabar ainda mais rapidamente, com cada vez mais complicado acesso ao petróleo e ao gás e com o 1º dos invernos à porta!

Os povos europeus e estado-unidenses vão mesmo ter de acordar e, de forma conjugada com o “espírito de Xangai”, tratar de sua própria libertação!

O colar de pérolas emergentes de Samarcanda vai do Pacífico ao Atlântico e dará a volta ao mundo!

Círculo 4F, Martinho Júnior, 1 de Agosto de 2022.

D:\PRODUÇÕES\2022\MJ - AGO 22\CÍRCULO 4F..jpg

 

Imagen de portada: SCO expande adesão e apelo internacional enquanto o presidente Xi descreve prioridades de solidariedade e benefícios compartilhados – O presidente chinês Xi Jinping (sétimo da esquerda, frente) e líderes de outros estados membros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), estados observadores e parceiros de diálogo posam para uma foto antes da 22ª reunião do Conselho de Chefes de Estado da SCO em 16 de setembro, 2022, em Samarcanda, Uzbequistão. Foto: Xinhua – https://www.globaltimes.cn/page/202209/1275441.shtml

Textos a consultar:

Deja un comentario

Este sitio usa Akismet para reducir el spam. Aprende cómo se procesan los datos de tus comentarios.